VALOR EXATO ACISC – 12 DE NOVEMBRO

O principal assunto da gestão financeira em 2020 foi e continuará sendo a liquidez, também traduzida pela capacidade de liquidar dívidas. Com a redução de demanda e aumento paulatino dos custos de matérias primas e da maioria das transações no presente e que se espera para os próximos meses, a liquidez para qualquer empreendimento se torna vital.

É fato que os custos do trabalho foram reduzidos e com isso as empresas podem ter problemas com a produtividade. Mas, em termos financeiros o fornecimento de crédito pelo (PRONAMPE - Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) favoreceu um grande número de micro, pequenas e médias empresas.

O crédito permitiu que as empresas reestruturassem suas dívidas ou investissem em capital de giro, decisões que viabilizam a produção de curto prazo. Com o bom andamento do comércio exterior, a existência de vários auxílios creditícios e fiscais promovidos pelos Governos, o efeito foi da redução das perspectivas mais negativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto para 2020.

A questão para a gestão financeira dos negócios é o controle do grau de endividamento que ocorre em função da contratação de créditos. Segundo a visão patrimonial, o aumento da participação de recursos de terceiros (curto e longo prazo) com relação ao patrimônio líquido é denominado de grau de endividamento.

No presente, a contratação de créditos aumenta a liquidez das empresas. A liquidez é calculada pela divisão da ativo circulante pelo passivo circulante. Valores acima da unidade significam a existência de mais de R$ 1,00 para cada unidade em Reais de dívida! E valores abaixo da unidade, calculada pela divisão acima, significam a inexistência de um Real para cada unidade em Reais de dívida!

Com esse crédito as micro, pequenas e médias empresas puderam dar prosseguimento de suas decisões de curto prazo e manter inclusive os recolhimentos dos tributos. Pois, para o Governo Federal manter os gastos orçamentários, a arrecadação deve ser mantida.

Dessa forma, existe uma lógica também ao funcionamento do Setor Público: o crédito fornecido através da Política Monetária em 2020 favoreceu à atividade produtiva e a própria arrecadação do Governo.

Para as empresas o cenário de segundo ou terceiro trimestre de 2021 merece mais atenção, pois é nesse período que o pagamento dos financiamentos obtidos em 2020 começará a vencer.

Logo, se a margem de lucro não for recomposta até lá, as empresas terão problemas com a capacidade de liquidar dívidas, ou seja, de liquidez. A margem de lucro e o giro das vendas serão decisivos para a condição financeira das empresas em meados de 2021.

A operação dos negócios nos próximos meses encontrará no pagamento do décimo terceiro salário e dos impostos de início de ano um consumo dos recursos de caixa. A convivência com as restrições sanitárias consiste em um risco que deve ser incorporado à gestão de liquidez.

Suspensões de atividades econômicas em diferentes cidades brasileiras, segundo o grau de contágio, ainda predominarão até a existência de uma solução em termos de imunidade (vacinas).

Se em termos de crise sanitária, o giro de mercadorias é mais importante do que a margem de lucro, o aumento do endividamento e a continuidade de risco sanitário, ambas impõem uma observância sobre a liquidez da empresa no próximo ano.

Logo, liquidar passivos em meses em que a liquidez aumentar pode ser uma boa saída para enfrentar o pagamento de financiamento em meados de 2021. Uma alternativa adicional é reduzir os custos materiais das atividades produtivas, através da eliminação de desperdícios e revisão de processos produtivos.

A flexibilidade das micro, pequenas e médias empresas sempre foi importante e neste momento crucial para sua própria sobrevivência.

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