INFORMATIVO ECONÔMICO ACISC

Por Núcleo de Economia da ACISC

As Condições da Oferta Agregada e os Efeitos da Pandemia

Nada mais conhecido em Ciências Econômicas do que a relação entre oferta e demanda agregada. Graficamente, essa relação é mediada pelos preços, como demonstrado na Figura 1. No eixo vertical temos o nível geral de preços. No eixo horizontal o Produto Interno Bruto.

A oferta agregada é formada pelo conjunto de empregadores e trabalhadores por conta própria que combinam capital físico, tecnologia, e trabalho humano para ofertar bens e serviços.

A demanda agregada corresponde aos gastos, formados pelo consumo, investimento (público e privado), gastos do governo e saldo líquido de exportações (exportações – importações).

A oferta agregada responde positivamente ao preço, enquanto a demanda responde negativamente aos preços. Variações positivas de preços oferecem a oportunidade para as empresas melhorarem suas margens de lucro; enquanto desinflações permitem aos consumidores comprarem mais com o mesmo nível de renda. Por essas razões é que a curva de oferta é positivamente inclinada e a curva de demanda é negativamente inclinada.

Nas economias modernas, a curva de possibilidades de produção e preço (curva de oferta) não é inclinada, mas quase horizontal, pois as empresas reagem com certo atraso na correção dos preços com relação aos seus custos, devido às condições de concorrência. Mas aqui vamos manter o desenho tradicional.

A situação econômica no Brasil que seria representada em 2019 pelas linhas fortes na cor preta, com equilíbrio da oferta e demanda gerando o Produto Interno Bruto (Y1), passou a ser representada pelas linhas laranjas.

O cruzamento das linhas laranjas mostram o nível do PIB menor do que em 2019 e o nível de preços mais altos em função dos aumentos recentes. A curva de oferta agregada caminhou para trás e para cima, linha positivamente inclinada laranja. E a demanda caminhou para trás e para baixo, linha negativamente inclinada também da cor laranja.

Em termos numéricos, com base na Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar mais recente, publicada para os quatro trimestres completos de 2020 mostram as seguintes reduções da oferta agregada, segundo as ocupações quando se compara o quarto trimestre de 2020 com o quarto trimestre de 2019:

Mais de cinco milhões e quinhentos mil trabalhadores perderam o emprego no setor privado; a segunda maior perda foi registrada na ocupação de trabalho doméstico, seguida da ocupação por conta própria. As ocupações cresceram no setor público e no trabalho familiar auxiliar.

O destaque aqui é a redução do número de empregadores (empresas) e do trabalho por conta própria (que legalmente não pode oferecer vínculos empregatícios legais). Sem empregadores não há oferta! Sem demanda não há oferta!

As decisões políticas tiveram peso na destruição de riquezas ao longo de 2020. Para evitar uma perda ainda maior é necessária a recomposição das estruturas de decisão em favor da estabilidade social e de mercado.

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