Economia brasileira tem desemprego de 5,3%, mas informalidade limita avanço em 2026
Informativo econômico da ACISC aponta 40,9 milhões de trabalhadores informais e destaca desafios para a sustentabilidade das atividades produtivas no País
A economia brasileira em 2026 apresenta taxa de desemprego de 5,3% no trimestre entre maio e julho, mas ainda enfrenta desafios relacionados à elevada informalidade no mercado de trabalho. Segundo dados reunidos no Informativo Econômico da ACISC, divulgado nesta quarta-feira, 9 de setembro, 40,984 milhões de pessoas estão inseridas em atividades informais, contingente que representa 37,5% da força de trabalho.
Os números utilizados no levantamento têm como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população em idade de trabalhar soma 175,510 milhões de pessoas. Desse total, 109,154 milhões integram efetivamente a força de trabalho, enquanto 66,356 milhões estão fora dela, ou seja, não estão procurando uma ocupação.
Esse contingente, entretanto, pode variar. Pessoas atualmente fora da força de trabalho podem voltar a procurar emprego. Caso busquem uma ocupação e não encontrem oportunidade, passam a integrar estatisticamente a população desempregada.
Mercado de trabalho reúne mais de 103 milhões de ocupados
A população ocupada no Brasil chegou a 103,335 milhões de pessoas no período analisado, enquanto 5,819 milhões estavam desocupadas. Pela metodologia do IBGE, é considerada ocupada a pessoa que trabalhou pelo menos uma hora completa na semana de referência, desde que a atividade tenha sido remunerada ou se enquadre em determinadas modalidades de trabalho sem remuneração direta.
No setor privado, o número de empregados, com ou sem carteira assinada, chegou a 53,180 milhões em julho de 2026. O setor público concentrava 12,972 milhões de trabalhadores. Já o trabalho doméstico reunia 5,409 milhões de pessoas, enquanto os trabalhadores por conta própria somavam 26,099 milhões. O número de empregadores alcançou 4,376 milhões.
Os rendimentos também apresentam diferenças significativas conforme o tipo de ocupação. No setor privado, a renda média apontada pelo levantamento foi de R$ 3.193. Entre trabalhadores do setor público, o valor chegou a R$ 5.544. No trabalho doméstico, a média nacional ficou em R$ 1.460, enquanto os trabalhadores por conta própria receberam, em média, R$ 3.134. Entre os empregadores, o rendimento médio atingiu R$ 10.060.
Informalidade preocupa cenário da economia brasileira
Apesar da taxa de desemprego de 5,3%, o informativo da ACISC chama atenção para a estrutura do mercado de trabalho. A soma de empregados sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria e empregadores sem CNPJ alcança 40,984 milhões de pessoas. O grupo corresponde a 37,5% da força de trabalho considerada no levantamento.
Na avaliação apresentada pelo Núcleo Econômico da ACISC, esse nível de informalidade limita os ganhos de renda e evidencia fragilidades no quadro ocupacional brasileiro. O documento também aponta que regras trabalhistas e os efeitos da reforma tributária representam desafios para a sustentabilidade das atividades produtivas.
Em relação aos preços, a inflação acumulada nos 12 meses até julho ficou em 4,44%. No acumulado de 2026, o índice chegou a 3,44%. O informativo considera que desemprego e estabilidade dos preços estão entre os principais indicadores para análise da conjuntura econômica e reforça que, apesar dos números de ocupação, a informalidade permanece como um dos principais pontos de atenção para o mercado de trabalho brasileiro.