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Cadastro Positivo ainda é pouco conhecido

 
03/06/2011
 

Consumidores têm muitas interrogações sobre medida que deverá ser sancionada em breve pela Presidente da República, Dilma Rousseff

Eu tenho o nome limpo, mas acho injusto ter privilégio por isso. Jorge Penteadura da Costa, auxiliar de zoonoses

Quero saber qual será a taxa de juros e se haverá custo. Yvie Tinoco, estudante

Acho o cadastro bem legal, mas precisa ser usado com consciência. Eu usaria apenas para conseguir crédito. Pedro Billó, ator

A pessoa pode ser uma boa pagadora hoje, mas ter um problema e ir para a lista de maus pagadores. Natame Diniz, estudante

O consumidor que quiser fazer parte do Cadastro Positivo - também conhecido como o cadastro do bom pagador - já pode assinar um termo de autorização em um birô de crédito desde o dia 18 de maio, quando o projeto foi aprovado pelo Senado Federal. Mesmo assim, o Cadastro Positivo (veja quadro abaixo) é pouco conhecido pela população. Até profissionais do setor financeiro ouvidos pela reportagem do Diário do Comércio na Avenida Paulista, em São Paulo, disseram não ter muito conhecimento sobre o assunto. De dez entrevistados, seis afirmaram ter alguma informação sobre o projeto, por jornal, TV ou internet. E quatro tiveram de ouvir uma explicação da reportagem para emitir uma opinião. Uma percepção comum entre os entrevistados é a de que o Cadastro Positivo pode diferenciar as pessoas e até mesmo comprometer a privacidade.

O bancário Délcio Miyashiro, de 54 anos, disse ter conhecimento sobre o cadastro, mas não muito. "Parece um projeto bom porque hoje todos pagam por causa de alguns", disse. De fato, o cálculo das taxas de juros inclui o risco, ou seja, a probabilidade de uma parte dos consumidores não pagarem um empréstimo ou financiamento.

"É como o consumo de água em um edifício. No rateio da conta, o morador solteiro paga pela média dos outros, ou seja, o mesmo valor que uma família inteira paga por mês. Com o hidrômetro, que mede o consumo individual, cada um paga conforme seu comportamento. Assim ocorre com o Cadastro Positivo", afirmou o economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo.

Mesmo assim, o auxiliar de zoonoses Jorge Penteadura da Costa, 43 anos, que pesquisou sobre o Cadastro Positivo na internet, considerou a medida discriminatória. "Eu tenho o nome limpo, mas acho injusto ter privilégio por isso. Não é certo diferenciar as pessoas", afirmou. Para Costa, a sociedade precisa de mais informação sobre o assunto para opinar. Quem compartilha dessa opinião é a estudante de Ciências Sociais Natame Diniz, de 21 anos. "Não sei se é bom separar as pessoas porque a pessoa pode ser uma boa pagadora hoje, mas ter um problema e ir para a lista de maus pagadores", disse.

Histórico - O diretor de produtos e soluções da Boa Vista Serviços (da ACSP, que publica este Diário do Comércio), Leonardo Soares, afirmou que com o Cadastro Positivo ocorrerá justamente o oposto. "Hoje é assim: o mercado pune demais o consumidor que teve um problema e deixou de pagar em dia no mês passado, mesmo que foi pontual nos últimos 30 anos.

Com o Cadastro Positivo, a tendência é que o credor analise o histórico", afirmou Soares. Além disso, o consumidor pode organizar as contas e voltar a ser bom pagador. O pedreiro Ariovaldo Gomes, de 26 anos, não sabia do projeto, mas gostou. "Parece bom. Se realmente baixar o juro, eu colocaria meu nome no Cadastro, desde que não tenha custo", disse. Gomes prefere ter uma redução nos juros, já que costuma usar bastante o crédito para fazer compras.

A vendedora Aline Carmo, de 19 anos, parcela pouco suas compras, em média em duas vezes, mas não colocaria o nome no cadastro. "Não tinha ouvido falar, mas acho que a informação sobre se eu pago ou não minhas contas em dia é muito pessoal", afirmou. Essa é praticamente a mesma sensação relatada pelo bancário Alexandre Fernandes, de 28 anos, que se preocupa com a invasão de privacidade. "Acho que mesmo que haja uma redução nas taxas de juros, essa exposição não vale a pena. Me preocupo sobre como essa informação pode ser usada. Será preciso regras severas de confidencialidade", disse.

O ator Pedro Billó, de 23 anos, teme a utilização de suas informações por departamentos de marketing de empresas. "Acho o cadastro bem legal, mas precisa ser usado com consciência. Eu usaria apenas para conseguir crédito", afirmou. Por causa do mesmo receio, a estudante de Artes Cênicas Yvie Tinoco, de 21 anos, disse que vai esperar para ver se os consumidores que optarem pelo Cadastro Positivo terão benefícios, como menor taxa de juros. "Quero saber o quanto vai ser e se haverá custo", afirmou.

Segundo Solimeo, da ACSP, algumas impressões do consumidor são fruto de falta de informação. A preocupação do ator Billó, por exemplo, é desnecessária, já que, por lei, o Cadastro Positivo só será acessado por motivo de concessão de crédito e não por departamentos de marketing. Além disso, o consumidor pode, a cada quatro meses, verificar os nomes das empresas que acessaram seus dados. A lei permite que o consumidor retire seu nome do cadastro a qualquer momento.

Segundo Soares, a Boa Vista Serviços oferecerá um plano de benefícios ao consumidor que optar pelo Cadastro Positivo da empresa. "Ele poderá fazer consultas, renegociar dívidas e obter orientações", afirmou. Sobre a redução das taxas, a estimativa do mercado é que leve cerca de dois anos para que consumidores, varejo e financeiras estejam adaptados ao cadastro e passem a usá-lo para negociar juros menores. O projeto do Cadastro Positivo aguarda a sanção da Presidente da República, Dilma Rousseff, que deve ocorrer até o dia 9 de junho.

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