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Empresários cobram ações do governo contra a crise

 
08/11/2008
 

Lideranças empresariais de todo país, reunidas no XVIII Congresso da CACB, em Porto Seguro cobram a queda dos juros e medidas de apoio ao crédito.

CARTA DE PORTO SEGURO

1. O sistema das associações comerciais e empresariais, reunido no XVIII Congresso Brasileiro da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em Porto Seguro (BA), preocupado com o momento econômico do mundo e, conseqüentemente, do país, manifesta à nação o pensamento da entidade, que representa milhares de empresários de todos os segmentos da economia, e que congrega mais de 2000 Associações Comerciais.

2. Os recentes acontecimentos internacionais e seus reflexos na economia mundial e no nosso país geram preocupações mais do que justificáveis. Todos os esforços, tanto do poder público quanto da iniciativa privada, devem ser feitos para que esta situação seja plenamente superada como, ao longo de nossa história, já superamos outras.

3. Ressaltamos que as medidas adotadas pelo governo em relação ao sistema financeiro foram oportunas. Porém, a ampliação dessas medidas é necessária e o setor privado precisa de um tratamento isonômico, que contemple as micro e pequenas empresas, responsáveis pelo maior volume de empregos no país.

4. Ouvindo diversos empresários nas plenárias deste XVIII Congresso, constatamos que já está em curso uma diminuição de negócios em todo o país. Isto acarretará prejuízos incalculáveis para a economia e, especialmente, para a geração de emprego e renda, afetando sobremaneira a vida do povo brasileiro.

5. Ponto essencial é o acesso ao crédito, para manter ativos todos os setores da economia. Só assim, com estímulo, dinâmica e crescimento, poderemos superar este momento de instabilidade, mantendo a economia plena. Esse crédito deve ser disponibilizado via bancos estatais para garantir sua efetividade. É necessário que haja liberação de recursos, com acessibilidade efetiva; que seus efeitos possam ser sentidos imediatamente, não ficando apenas na intenção.

6. Medidas de apoio e linhas de crédito para os exportadores brasileiros são estratégicas, devendo ser intensificadas pelo BNDES e BB e o setor bancário privado, para não comprometer o desempenho de nossa balança de pagamento.

7. A crise financeira mundial também começa a provocar sérios reflexos em um setor especial para a economia brasileira, a agricultura. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma redução de 3,3% no volume das 145,6 milhões de toneladas da safra deste ano para a safra de 2009; a primeira queda na produção nacional depois de quatro anos de crescimento.

8. Considerando a importância do agronegócio, bem assim dos setores a ele conexos, sendo nossa entidade também representativa desse segmento que abrange milhões de empresários e trabalhadores, defendemos que o poder público implemente urgentes ações para superar as dificuldades de financiamento e investimento, para evitar o desestímulo da atividade.

9. As nossas preocupações estendem-se também a setores como a indústria automobilística e da construção, que por igual constituem segmentos estratégicos da economia brasileira, os quais merecem atenção redobrada. Compete-nos sobremaneira destacar a preocupação com o comércio de qualquer porte, preferencialmente daquele composto de micro e pequenos empresas, fundamentais para o equilíbrio econômico do país e que compõem percentual altíssimo de participação no setor.

10. Ao mesmo tempo, nos cabe continuar defendendo a queda continuada dos juros como essencial ao estímulo e ao vigor da atividade econômica. Ela é vital para a economia e, apesar da última medida do Banco Central, o Brasil ainda tem uma das mais altas taxas básicas (Selic) do mundo e um juro real também dos mais altos. Além disso, defendemos a redução da taxa Selic para manter uma simetria com a posição dos bancos centrais dos países, especialmente aqueles em desenvolvimento.

11. Entendemos todos esses pontos como importantes para nos ajudar a enfrentar a turbulência. Ainda, acrescentamos como essenciais a reforma tributária em andamento no Congresso Nacional, que deve nortear-se pela necessidade premente da redução da absurda carga tributária que pesa sobre toda e qualquer atividade econômica no país; a reforma trabalhista, com a análise isenta e profunda do anacronismo de nossa legislação; e a reforma previdenciária, entre outras providências urgentes.

12. As lideranças empresariais de todo país, reunidas no XVIII Congresso da CACB, se dispõe a colaborar, de forma intensa e cotidiana, para ajudar em ações que possam atenuar as conseqüências geradas pela instabilidade financeira mundial e consolidar medidas que possam fortalecer nossa economia, não só no presente como no futuro. Cientes de nossa responsabilidade, nos colocamos absolutamente dispostos a participar com a cota que se exige do setor empresarial e da iniciativa privada como um todo para que o país possa sofrer o mínimo possível, sem perder, em virtude da crise financeira mundial, todo o patrimônio que construiu para seu padrão socioeconômico.


Porto Seguro, 07 de Novembro de 2008

Alencar Burti

Presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil

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