Informativo Econômico ACISC nº 22

O acompanhamento do emprego formal da cidade de São Carlos pode contribuir também para uma visão mais setorial. A utilização dos dados do sistema RAIS/CAGED permite análises com maior ou menor grau de agregação. Com objetivo de complementar o Informativo ACISC n. 21, publicado em 01 de outubro, destacamos os subsetores que mais expandiram/reduziram o número de postos de trabalho. Como apontamos no Informativo passado a expansão do emprego na cidade de São Carlos atingiu 334 novas vagas de trabalho para o mês de agosto.

Mas, é importante acompanhar as maiores reduções e aumentos de postos de trabalho de acordo com os subsetores produtivos, entre janeiro e agosto de 2019. Dessa forma conseguimos dar uma percepção melhor a economia local segundo a ótica da oferta, ou seja, das firmas produtoras. Das quatro maiores reduções de postos de trabalhos ocorridas entre janeiro e agosto último, duas estão no subsetor industrial, uma no setor de serviços financeiros e a quarta no comércio varejista, como ilustrado na Tabela 2. Entre os maiores aumentos subsetoriais três estão no setor de serviços (administração imobiliário e de valores/mercado financeiro, ensino e transporte); e uma na indústria de materiais elétricos e comunicações.

As estatísticas sobre o quadro ocupacional da cidade de São Carlos dependem ainda de medidas do trabalho informal e do trabalho por conta própria, além do número de empregadores, que são geradas apenas para as grandes regiões metropolitanas.

Segundo o IBGE, muitos contratos de emprego formal foram substituídos recentemente pela informalidade ou criação de CNPJ por prestadores de serviço, na classificação da ocupação por “conta própria”.

Há mudanças relevantes na forma de estabelecer contratos entre empresas e empregados no mercado atual, ao mesmo tempo, que observamos uma redução acentuada do trabalho com carteira assinada. Com relação ao longo prazo, mais especificamente, a preocupação do trabalhador será de estabelecer vínculos com maior grau de seguridade social possível. Dessa forma, os aspectos previdenciários estarão incluídos.

A fragilidade do mercado de trabalho poderá causar efeitos sobre o potencial do consumo, na medida que, os indivíduos destinem uma parcela maior dos seus rendimentos para fins previdenciários. Por algum tempo, provavelmente, o consumo das famílias não “puxará” o crescimento do PIB.

A queda do emprego industrial e do comércio no município aponta para a mesma tendência do que se viu na dimensão nacional. Nesses subsetores, o de serviços é o principal empregador na cidade de São Carlos. A expansão do ensino e do setor de Administração Imobiliário pode representar uma sazonalidade típica do primeiro mês de volta às aulas do segundo semestre. Nos outros subsetores, com crescimento do emprego, há outras razões de mercado mais complexa para serem tratadas.

Mas, as reduções do emprego na indústria mecânica e de alimentos denotam uma dificuldade em duas pontas: de bens de capitais que fornece produtos a indústria de modo geral e o consumo final.


Sobre
O Informativo Econômico ACISC é elaborado pelo Núcleo de Economia da ACISC em convênio com o Núcleo de Conjuntura, Finanças e Empreendedorismo do Departamento de Economia da UNESP Araraquara, sob a coordenação do Prof. Dr. Elton Eustáquio Casagrande e supervisão do Presidente da ACISC José Fernando Domingues.

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