Informativo Econômico ACISC nº 21

A publicação da pesquisa do IBGE das ocupações no Brasil (Pesquisa por Amostra de Domicílios – PNAD) traz evidências preocupantes para a economia brasileira. A notícia de que a taxa de desocupação foi reduzida, pois variou de 12,3% no trimestre de março até maio para 11,8% no trimestre de junho a agosto é, por sua vez, um fato positivo. 

Em São Carlos (SP), no período do mês de agosto ocorreu criação de 334 novos postos de trabalho na cidade, com destaque positivo para a indústria, serviços e comércio. A construção civil e a agropecuária registraram redução de postos de trabalho. Considerada a série desde janeiro de 2018, o número de emprego com carteira foi o terceiro maior do período e está na linha de recuperação como ocorreu em períodos anteriores.

No Brasil, a redução da desocupação significou que mais 684 mil pessoas encontraram oportunidades de, ao menos, uma hora de trabalho remunerada na semana de referência, com pagamentos em valores monetários ou formas de remuneração previstas pelo IBGE. O número de pessoas desempregadas, por outro lado, caiu em 419 mil. 

O aumento de pessoas que entram na categoria de ocupados não é exatamente o mesmo do número de pessoas que deixam de estar desocupadas. Isto porque há pessoas que entram na força de trabalho em busca de emprego e também pessoas que saem da força de trabalho e não procuram mais trabalho. Sendo assim, a taxa de desemprego que caiu mais uma vez este ano representa um alento.

As preocupações que podem causar problemas ao comércio de maneira geral são as concentrações do consumo em bens e serviços que compõem a cesta básica. A cesta básica inclui produtos alimentícios, de higiene pessoal e limpeza. As necessidades com aluguel, transporte, educação e saúde consomem também outra parte da renda dos indivíduos e famílias. 

Logo, a economia como um todo ganha pelo consumo por quantidades pois há mais pessoas com algum rendimento, mas não pelo aumento do consumo de bens e serviços com maior valor agregado. Na Tabela 1, copilada do IBGE, demonstra as ocupações e suas variações com relação aos períodos anteriores.

O trabalho com carteira assinada caiu em 180 mil postos e o trabalho sem carteira cresceu em 411 mil no setor privado. Se o trabalho por conta própria cresceu significativamente, o número de empregadores caiu mais uma vez nesse período. Os empregadores representam uma dinâmica importante para economia brasileira, pois criam novas oportunidades de emprego e são responsáveis pela criação de novas empresas.

Deve ser acompanhada a tipologia de ocupação denominada de “conta própria”, em particular, com o CNPJ. O movimento do mercado de trabalho parece indicar que o trabalho formal de muitas atividades possa estar sendo substituído por essa característica de ocupação. 

Com relação às atividades setoriais, o contingente de ocupados do trimestre móvel de junho a agosto de 2019, em relação ao trimestre de março a maio de 2019, mostrou aumento nos grupamentos: Indústria (2,3%, ou mais 272 mil pessoas) e Construção (2,8%, ou mais 181 mil pessoas). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa. 

O efeito de possíveis novos aumentos e a gradativa transferência do emprego formal para atividades por conta própria com CNPJ e o número de empregadores poderá formar um novo cenário de desenvolvimento que venha a predominar no mercado de trabalho.
 


Sobre
O Informativo Econômico ACISC é elaborado pelo Núcleo de Economia da ACISC em convênio com o Núcleo de Conjuntura, Finanças e Empreendedorismo do Departamento de Economia da UNESP Araraquara, sob a coordenação do Prof. Dr. Elton Eustáquio Casagrande e supervisão do Presidente da ACISC José Fernando Domingues.

 

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