INFORMATIVO ECONÔMICO ACISC – (09 DE SETEMBRO)

O comportamento da Indústria Recente e uma Leitura para o Comércio

 

Os indicadores da indústria brasileira publicados pelo IBGE no final do mês de agosto oferecem uma boa perspectiva para o último quadrimestre de 2020. O efeito pandêmico sobre o Produto Interno Bruto (PIB) precisa ser compreendido pela classe empresarial como um efeito que interrompeu, até o momento, a lógica da globalização.

Logo, a queda do PIB em muitas sociedades não é uma crise qualquer. O conceito de recessão técnica difundido no Brasil é uma denominação que esconde todo desamparo que o Sistema de Saúde, não só nacional, mas também o internacional tem sofrido. E por isso a interrupção temporária da lógica da globalização se verificou.

A retomada ou redesenho das atividades produtivas seguirá a racionalidade de reduzir o contágio, em particular, quando a economia enfrenta uma onda mais forte de contágio depois de um intervalo de redução de casos, como foi registrado na Espanha ao final do mês de agosto.

O fato é que as atividades econômicas não podem parar! E a indústria brasileira demonstrou no mês de julho uma reativação das encomendas de segmentos do comércio, em função da reposição dos estoques e das demandas de consumidores. Há também um forte componente das expectativas empresariais com a confirmação da prorrogação do auxílio emergencial e da nova fase do PRONAMPE – Programa Nacional de Apoio às Microempresas.

A Tabela 1 registra as variações da produção física industrial frente ao mês de junho de 2020 (primeira coluna) e com relação ao mês de julho de 2019 (segunda coluna).  

A recuperação da produção industrial de bens intermediários é um dado positivo porque demonstra a substituição de produtos importados. Ao mesmo tempo, dentro da cadeia produtiva a produção de bens intermediário indica que a atividade industrial de fato está progredindo.

A produção física intermediária cresceu em relação ao mês de julho do ano passado e também com relação a junho de 2020. As demais categorias cresceram somente em relação ao junho de 2020.

Se for compreensível que a indústria de impressão e reprodução de gravações recuou em 40% em relação a junho, a recuperação da indústria de produtos têxteis e fabricação de vestuário em 26 e 29% no mês de julho causa uma surpresa positiva. Ambas ficaram atrás da Indústria de Fabricação de Automóveis, Carretas e Carrocerias e da Metalurgia que cresceram 44 e 18%.

Como se trata de bens de elevado valor agregado, a recuperação da Fabricação de Veículos é capaz de multiplicar a renda setorial e promover um impacto na renda nacional. Um exemplo desse poder setorial é dado pela expansão dessa indústria nos anos de 2006 a 2011 acompanhado da Construção Civil. Esses, são dois segmentos que movem o Produto Interno Bruto.

A diferença de anos anteriores é que no presente os valores nominais injetados no mercado pelo Banco Central, pelo Auxílio Emergencial e antecipação do Décimo Terceiro Salário anularam a queda de valores nominais que deixaram de circular por conta da pandemia.

A órbita da racionalidade econômica parece que está se recuperando em termos produtivos e um cenário melhor para o final do ano parece se desenhar.

 

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O Informativo Econômico ACISC é elaborado pelo Núcleo de Economia da ACISC em convênio com o Núcleo de Conjuntura, Finanças e Empreendedorismo do Departamento de Economia da UNESP Araraquara, sob a coordenação do Prof. Dr. Elton Eustáquio Casagrande e supervisão do Presidente da ACISC, José Fernando Domingues.

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