Empresas e o Enfrentamento dos Riscos não Diversificáveis

Os investimentos em ativos financeiros são realizados para proporcionar retornos próximos aos de mercado (ex. desempenho das ações) e minimizar o riscos da carteira de aplicações.

O risco em mercados se divide em diversificável e não diversificável. O diversificável é aquele proveniente das características de uma empresa ou do setor/segmento específico. No mercado acionário, o investidor diversifica a aquisição de ações por segmentos produtivos para reduzir o risco da carteira.

Existe um outro risco, denominado de não diversificável, que não pode ser minimizado, pois suas origens são imprevistas. Isto significa que investimentos em portfólio estão sujeitos a situações mais gerais e que atingem a todos os segmentos da atividade econômica em diferentes graus.

A pandemia é um exemplo atualíssimo de risco não diversificável. Porém, seu alcance foi assimétrico entre os diversos setores produtivos. A gênese do problema foi inesperada (não diversificável), mas políticas para reduzir os efeitos são todas conhecidas. Contudo, a ineficácia da execução de políticas e o comportamento inadequado da população pode ampliar as perdas (Risco não Diversificável).

Uma segunda onda econômica de dificuldades então se apresenta potencialmente para os empregadores e empresários em geral. Com o intuito de apresentar esses possíveis riscos não diversificáveis, elege-se alguns apontamentos que ocorreram desde o início do ano:   

  1. Os efeitos econômicos sobre o comércio da região central do município foi afetado duramente pelas enchentes entre 2019/20. As perdas atingiram um grande número de lojas e afetaram tanto os ativos imobilizados, como instalações, equipamentos e móveis quanto os ativos circulantes: estoques de mercadorias e carteira de clientes. Além do próprio fundo de comércio.
  2. A possibilidade de mudança de endereço dos lojistas cria um efeito negativo sobre o mercado imobiliário dessa região, mas também oportunidades para outras regiões.

Os itens (1) e (2) implicam em custos e prejuízos para os lojistas relativos ao mudanças para outras áreas e um risco em relação ao comportamento do consumidor já fidelizado. Novos investimentos teriam de ocorrer para reativar o nicho de mercado.

            Com a pandemia o efeito recaiu de maneira geral sobre as atividades não  essenciais. Com isso, outros elementos se somam aos dois anteriores:

  1. A não presença de estudantes universitários reduz a demanda do comércio e de serviços da cidade.
  2. A paralização das atividades universitárias reduz os gastos correntes das Universidades que também causam efeitos sobre a rede de comércio e serviços locais.
  3. A depreciação cambial está encarecendo as importações e as redes de distribuição constituídas a partir da estratégia de importação.
  4. A duração dos efeitos incertos da pandemia promovem o congelamento de planos de investimento de empresas.

Mas há fatores positivos. Com o encarecimento do Dólar a oportunidade de negócios se centra na produção nacional. Isso pode contribuir para uma recuperação no futuro próximo do setor e promover novos negócios.

As empresas que podem encerrar as atividades não são necessariamente do comércio. Dada a flexibilidade deste setor e a existência de tecnologias digitais, ambas, se bem usadas, poderão explicar a permanência de empresas comerciais. Mas, a rede de negócios associadas ao Setor do Comércio pode não encontrar tal flexibilidade.

Cadastre seu e-mail

E receba novidades exclusivas

Dúvidas?