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Aumento do crédito pode virar pesadelo

 
27/03/2008
 

A atual estabilidade da inadimplência no varejo pode correr risco se for mantido o ritmo recente de concessão de crédito no Brasil. Essa análise é praticamente consenso entre economistas. A divergência está no tempo: ainda se discute até quando o forte crescimento das vendas no comércio pode continuar e em que momento, exatamente, o endividamento do consumidor brasileiro pode se tornar um pesadelo para o setor.

Para a professora do Programa de Administração de Varejo (Provar-FIA) Flávia Angeli Ghisi, mantido o cenário econômico atual no Brasil e no exterior, os atrasos nos pagamentos de compras parceladas tendem a começar, no máximo, a médio prazo - um período de três ou quatro anos. Na opinião dela, esse é o intervalo necessário para o acúmulo de dívidas ameaçar o orçamento familiar, principalmente no caso das classes C, D e E.

O diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, concorda com a professora a respeito da possibilidade de a inadimplência elevada reaparecer no varejo. Ele afirma, no entanto, que não é possível precisar o momento em que o problema vai surgir.

De acordo com Solimeo, o próprio mercado deve estabelecer os parâmetros para os empréstimos e financiamentos, identificando as conseqüências do desequilíbrio entre vendas a prazo e falta de pagamento. "Acredito que os agentes de crédito tendem a ficar mais restritivos se detectarem o aumento da inadimplência", afirma.

Segundo dados da ACSP, na primeira quinzena deste mês os registros recebidos no cadastro do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) cresceram 8% em relação a igual período do ano passado, enquanto os nomes excluídos (registros cancelados) do sistema aumentaram 9,5%. Nessa mesma comparação, o número de consultas ao SCPC (termômetro das vendas a prazo no comércio da capital paulista) teve crescimento de 8,1%.

Desaceleração - O diretor-executivo do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Emerson Kapaz, afirma que o aumento do volume de crédito no País (1,1% em relação a janeiro) está um pouco abaixo das taxas de expansão registradas no ano passado. Entre outubro e novembro de 2007, o percentual de crescimento atingiu 2,7%, elevação que saltou para 3,1% em dezembro na comparação com o mês anterior.

"É possível, portanto, que estejamos próximos de um processo de desaceleração da evolução do crédito no Brasil, embora esse segmento mantenha o dinamismo", diz Kapaz, ressaltando que a impressão precisa ser confirmada por dados dos próximos meses.

O Banco Central (BC) divulgou ontem que a inadimplência no País (considerando dívidas com atraso superior a 90 dias) correspondeu em fevereiro a 4,3% do estoque de crédito. A taxa foi 0,1 ponto percentual menor que a registrada no mês anterior e ficou 0,7 ponto abaixo do nível de fevereiro do ano passado.

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