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Reclamações contra empresas de cartões de crédito

 
12/02/2008
 

SÃO PAULO - O cartão de crédito tem provocado abalos no orçamento do brasileiro. O uso do dinheiro de plástico se popularizou e acabou se transformando em dor de cabeça para muita gente. Ele já é a principal causa de inadimplência.

As reclamações contra as empresas que administram os cartões também cresceram. Em 2007, os cartões foram o número um em queixas registradas no Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), que reúne informações de 88 cidades.

Por causa do aumento na inadimplência e nas reclamações contra as empresas de cartão de crédito, o governo decidiu criar um grupo que vai analisar regras mais rígidas para este setor. Hoje, apesar dos mais de R$ 180 bilhões movimentados anualmente pelos quase 100 milhões de clientes de cartões no Brasil, a atividade não tem regras específicas.

O BC não se considera totalmente responsável porque parte das administradoras de cartões não é considerada instituição financeira. Também há desarranjo regulatório em relação às responsabilidades dos bancos que oferecem aos clientes cartão com bandeiras de terceiros e atritos na relação entre administradoras e lojistas.

Representantes do Ministério da Fazenda, Banco Central (BC) e da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça estão estudando o comportamento desse mercado e a forma de atuação das administradoras de cartões de crédito, com foco no consumidor, para avaliar a necessidade de criação de um marco regulatório.

Dívidas - O shopping é tentador, mas a auxiliar administrativa Renata Girão hoje resiste ao apelo das vitrines. Nem sempre foi assim. "Comprava roupa, sapato e besteira", lembra, rindo.

Com o cartão de crédito, Renata comprava mais do que o salário permitia. O descontrole custou caro. "Fiquei pagando limite, mínimo, juros e juros. Desisti do cartão. É uma bola de neve", comenta.

O agente de vistoria técnica Jucélio dos Santos ainda está enrolado com as dívidas. Entrou no crédito rotativo. "Eu gasto muito quando eu preciso. Vou usar meu limite todo e gasto muito", diz.

De acordo com uma pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), a falta de controle sobre as despesas é o principal motivo de inadimplência, seguido do desemprego. Gastos com roupas são os que mais levam ao endividamento. E é com o cartão de crédito que os consumidores perdem a cabeça e se perdem nas contas.

"Tem que olhar para o seu salário, fazer a conta direitinho no lápis e verificar o que cabe no pagamento desse salário. É uma conta muito simples: de mais e de menos. Não tem grandes dificuldades", afirma o diretor-executivo da Fecomércio, Antonio Carlos Borges.

O cartão de crédito enterrou o cheque pré-datado e acabou com o hábito de acompanhar cada pagamento no canhoto do talão. Ficou mais fácil exagerar nas compras. "É praticamente um pagamento à vista. Entrega o cartão, pagou e nem fez a conta no saldo do banco para ver onde está indo o dinheiro que ele tinha", continua Borges.

Ao todo, 45% dos consumidores que ganham até três salários mínimos estão com prestações atrasadas. Para quem perde o limite, a melhor saída é cancelar o cartão de crédito.


 

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