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Preços sobem até 744% em 13 anos de inflação do Real

 
26/07/2007
 

Lançado em 1° de julho de 1994, o Plano Real, projeto criado para estabilizar a economia brasileira, mergulhada na hiperinflacão, chega a 2007, 13 anos depois, com distorções de preços relevantes.

A inflação acumulada até junho deste ano, de acordo com levantamentos do pesquisador Márcio Issao Nakane, da Fundação Instituto de pesquisas Econômicas da USP (Fipe), registrou patamares tão diversos quanto o mínimo de 15,79% para o setor de vestuário e o máximo, de 744,21%, na conta do telefone fixo.

Habitação e alimentação, os itens que mais pesam na cesta de gastos familiares, subiram 272,47% e 119,22%, respectivamente. Os dados são do município de São Paulo.

O registro da seqüência dos reajustes inflacionários mostra ainda que o transporte coletivo subiu 424,33% nos últimos 13 anos, enquanto as despesas pessoais aumentaram 127,09% e a educação 301,55%. Na outra ponta, o trabalho registra também queda de preços, principalmente no setor de eletrodomésticos de áudio e vídeo, que diminuíram, em média, 40,62%. A filmadora ficou 42,56% mais barata, a máquina fotográfica, 39,88%, e o televisor, 34,46%.

Segundo o estudo da Fipe, colaboraram para a queda o avanço das novas tecnologias - que tornam o custo de produção menor -, o aumento da concorrência dos importados, neste momento favorecida pela baixa cotação do dólar, e a forte concorrência no varejo.

Na média, de acordo com o pesquisador do instituto de pesquisas, a inflação desde o início do Plano Real chegou a 178,75% em São Paulo. "É uma inflação baixa, se considerarmos que só nos três últimos meses anteriores ao Plano Real, abril, maio e junho de 1994, o índice chegou a 221%."

Mesmo calculando a média de 8,2% de inflação ao ano nos últimos 13 anos, Nakane evita comparar o custo de vida brasileiro com o de outros países, pois são realidades distintas. "Apesar de a média ser mais alta que a dos países desenvolvidos, os indicadores mostram que o poder de compra do brasileiro está mais consistente", afirmou. Isto, apesar dos grandes aumentos no grupo dos serviços regulados pelo governo, como energia elétrica, água e gás, "que ainda hoje são reajustados pelo cálculo da inflação dos últimos doze meses".

O setor de vestuário de São Paulo não percebe o poder de compra do consumidor brasileiro. De acordo com o secretário-executivo do Sindicato das Indústrias do Vestuário de São Paulo, Pedro Eduardo Fortes, a inflação nas roupas não acompanhou o ritmo dos demais produtos por falta de compradores na praça.

"Quando o dinheiro está escasso para o consumidor, um dos primeiros itens cortados da lista de compras é o vestuário", disse o secretário-executivo. A concorrência desleal asiática, de acordo com o secretário, estabeleceu também grandes barreiras para evitar pressão inflacionária no setor.

A economia agrícola, igualmente, sofreu prejuízos na era do real. O setor primário alega que pagou a conta da estabilização, tomando por base indicadores da Esalq/BM&F (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e Bolsa de Mercadorias e Futuros).

Deflação - Considerando a média de 178,75% no aumento do custo de vida nos últimos 13 anos, o leite, por exemplo, perdeu na soma dos reajustes e não passou dos 142% de alta. Perderam também os grãos - o reajuste de 1994 para cá chegou a 132% na soja, 98% no arroz e apenas 9,79% no feijão. O vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Joel Naegele, disse que o setor "com certeza sustentou a estabilidade econômica do Plano Real".

Para ele, mais que a queda relativa dos preços, os agricultores viveram até agora tempos difíceis de falta de apoio governamental, que só mudaram um pouco com a atenção que o mundo dá ao etanol agora. "O Estado brasileiro não faz nada pela agricultura. O movimento positivo que temos hoje vem do comércio internacional."

Enquanto os preços dos produtos permaneceram baixos, os insumos e o custo de produção aumentaram. Desde a criação do Plano Real, o adubo saltou de R$ 210 para R$ 750 a tonelada, variação de 257%. O óleo diesel subiu 386% e a uréia, 302%.

Os preços de máquinas e implementos agrícolas, colhedoras, tratores e peças passaram dos 320% de alta. O negócio que lucrou um pouco, de acordo com a Esalq/BM&F foi o boi gordo, que passou de R$ 0,69 o quilo em julho de 1994 para R$ 2,09 em maio passado, variação de 202%. Esse índice, entretanto, é menor que a variação de 247,4% do IGP-DI medido pela Fundação Getúlio Vargas.

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