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Empréstimo para pessoa jurídica cresce

 
25/03/2006
 

Empréstimo para pessoa jurídica cresce, mas ainda é caro e difícil
Janes Rocha De São Paulo

As operações de crédito para empresas aumentaram 21,84% nos últimos 12 meses e 3% nominais em fevereiro comparado a janeiro, segundo análise do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, produzido com base no relatório de Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro do Banco Central, divulgado ontem. Todas as modalidades de empréstimos referenciadas em moeda doméstica, com exceção do "hot money" cresceram em relação a janeiro.

A notícia, no entanto, não animou Antonio Sérgio de Almeida diretor do Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef) e diretor administrativo e financeiro da indústria Morganite Brasil. Para ele, o crédito bancário cresce muito abaixo da necessidade das empresas que, quando podem, fogem dos bancos.

"Não existe atividade que gere 20% no mínimo só para pagar os juros", afirma Almeida, usando um exemplo conservador, do custo mais baixo de empréstimos em oferta, equivalente à taxa básica de juros acrescida de um spread muito baixo, só disponível para grandes e sólidas companhias - "aquelas que não precisam de dinheiro dos bancos".

"O custo do dinheiro continua proibitivo", acrescenta Milton Bogus, diretor do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A entidade está tentando ampliar o acesso das pequenas empresas aos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), até agora única fonte de dinheiro a custos mais razoáveis (abaixo de 20% ao ano) e de longo prazo disponível no sistema financeiro nacional.

Essa semana, a Fiesp promoveu uma rodada de aproximação de pequenas empresas com bancos que repassam linhas de financiamento do BNDES, as Salas de Crédito. Segundo Bogus, representantes de mais de 90 sindicatos de indústrias ligadas à Federação participaram do evento e 110 atendimentos foram realizados pelos gerentes dos bancos com os quais foi fechada uma parceria - Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Nossa Caixa e BNDES. A iniciativa vai servir, por enquanto, para que as empresas apresentem suas demandas e a entidade possa identificar os gargalos que impedem o fluxo de financiamento para as indústrias.

Almeida, do Ibef, é cético quanto a ações do tipo que a Fiesp está promovendo. "Empresas grandes estão fazendo seus planos baseados em captações externas e mercado de capitais, porque é onde tem dinheiro mais barato". As pequenas - que não têm acesso a mercado internacional nem a instrumentos de mercado de capitais, e a quem o dinheiro do BNDES poderia ser a melhor alternativa, não conseguem se candidatar aos recursos do banco estatal, diz o diretor do Ibef. "O problema é o nível de exigências. As empresas médias e pequenas nem sempre têm uma estrutura profissionalizada, têm impostos em atraso e um nível de bancarização muito baixo", analisa Almeida.

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