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Banco de Curriculos

 

Final de ano

 
14/09/2005
 

As perspectivas para o final do ano

A decisão do Copom em sua última reunião, mantendo inalterada a taxa Selic, apesar da desaceleração dos índices de inflação e do nível da atividade econômica, indica que o conservadorismo deve continuar prevalecendo. Parece que só a partir deste mês começará a redução dos juros.

Considerando-se o gradualismo que deverá ser adotado, é provável que se chegue ao final do ano com uma Selic na casa dos 18%, se não ocorrer um agravamento da crise política. Apesar disso, fatores como as linhas de crédito consignado, a forte participação das grandes instituições financeiras na oferta de recursos para as pessoas físicas e o alongamento dos prazos do crediário devem garantir o bom desempenho das vendas a prazo. Adicionalmente, o varejo deverá ser beneficiado por alguma recuperação da renda, graças à queda da inflação e aos dissídios de importantes categorias profissionais nos próximos meses, e pelo aumento dos gastos públicos.

Segundo o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, o governo não pretende elevar o superávit primário neste ano e o desempenho das contas públicas até o momento deixa folga para o incremento das despesas. Se forem levadas em consideração as dificuldades políticas enfrentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é bem provável que o governo libere recursos para atender as emendas propostas por parlamentares de sua instável base de apoio.

Especial atenção deverá ser dedicada à inadimplência. Os indicadores apontam para o aumento dos registros negativos e o menor crescimento das renegociações das dívidas.

Diante dessa situação, pode-se esperar que o varejo mantenha o ritmo de crescimento em cerca de 4% a 5% em relação ao segundo semestre de 2004, com maior expansão dos produtos que dependem do crédito, como eletrodomésticos, móveis, celulares e veículos, e menor crescimento daqueles dependentes da renda, inclusive os alimentos.

A oferta de emprego não deverá crescer, porque as altas taxas de juros, agravadas pelas incertezas do cenário político, devem retardar decisões de investimentos, sejam em novas plantas, sejam na expansão das existentes. Apenas os investimentos voltados à exportação e, mais especificamente, aos produtos primários ou semimanufaturados devem continuar, aproveitando as condições extremamente favoráveis do mercado mundial.

Especial atenção deverá ser dedicada à inadimplência, uma vez que os indicadores apontam para o aumento dos registros negativos e o menor crescimento das renegociações das dívidas em virtude das elevadas taxas de juros.

* Economista e diretor do Instituto de Economia "Gastão Vidigal", da ACSP.

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