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Crescimento no ano deve ser pior que o esperado

 
22/09/2005
 

FMI revê para baixo crescimento do país
Tatiana Bautzer De Washington

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a expectativa para o crescimento do PIB brasileiro este ano de 3,7% para 3,3%, considerando a desaceleração da atividade no primeiro trimestre e possíveis efeitos da crise política. O FMI afirma no relatório "World Economic Outlook" (Perspectivas para a Economia Mundial) que "a alta de preços do petróleo e possíveis desdobramentos das incertezas políticas aumentam os riscos de redução (do crescimento)".

O FMI justifica a redução de 0,4 ponto percentual com a desaceleração maior que a esperada depois da alta das taxas de juros no início do ano. A a respeito dos juros brasileiros, o FMI não diz que a elevação foi "apropriada", como observou no caso do Chile. A projeção para o crescimento do Brasil no ano que vem não mudou: 3,5%.

No cenário da economia mundial divulgado ontem, o Fundo explicitou a expectativa de um crescimento menor que o esperado nos EUA e Europa e demonstrou preocupação com a hipótese de uma recessão global, como reação à falta de medidas coordenadas para a solução dos desequilíbrios globais. A alta dos preços do petróleo, que até agora não teve efeitos dramáticos, deve começar a pressionar os índices de inflação no Primeiro Mundo.

A América Latina tem sido beneficiada pelo ambiente benigno na economia mundial, mas o FMI aponta alguns riscos para a continuidade da expansão, como a eventual queda de preços de commodities exportadas pelos países e redução do crescimento econômico mundial - especialmente nos Estados Unidos. A projeção para o crescimento da economia americana foi reduzida de 3,7% para 3,5% este ano e de 3,6% para 3,3% no ano que vem, como conseqüência da alta do petróleo e devastação provocada pelo Furacão Katrina.

Apesar da expectativa de uma virada para pior no cenário econômico mundial, o FMI reconheceu o progresso dos países emergentes no gerenciamento de sua dívida. A média de endividamento dos países em desenvolvimento em relação ao PIB deve cair de 68% em 2002 para 60% no fim deste ano. A maior redução ocorreu na América Latina, onde a média recuou de 65% do PIB para 52,25%. O perfil da dívida também melhorou. Nos últimos três anos, a participação da parcela indexada ao dólar caiu de 55% para pouco menos de 50%. "Essa redução deve-se tanto à apreciação de moedas locais quanto a um melhor gerenciamento da dívida", diz o WEO. Mas o Fundo acredita que o nível atual de 60% ainda é alto demais e que os países deveriam elevar os percentuais de superávit primário para reduzir essa relação mais rapidamente.

Depois de passar as últimas reuniões sendo ignorado pelos países ricos em relação a recomendações para atacar os desequilíbrios globais, o FMI desta vez anunciou ser possível uma recessão global como conseqüência de um ajuste abrupto dos altos déficits de conta corrente nos EUA. "A possibilidade ainda é baixa, mas este cenário custaria muito caro", diz o economista-chefe do Fundo, Rhaguram Rajan.

O cenário considera que nem os EUA nem a Europa fariam as reformas necessárias, e haveria aumento de pressões protecionistas em países ricos. A alta de preços do petróleo, aliada a pressões protecionistas, resultaria em taxas de inflação mais altas e forçaria bancos centrais, como o Federal Reserve, a elevar rapidamente as taxas de juros. A alta dos juros contribuiria para "furar" a bolha imobiliária e deprimir o consumo.

Essas condições seriam acompanhadas por uma queda de demanda pelos ativos dos EUA (dificultando o financiamento do déficit em conta corrente) e desmonte de âncoras cambiais na Ásia, que levaria a grande volatilidade nos mercados financeiros. "Nossa sugestão pode funcionar como uma âncora externa para que esses países tomem as medidas necessárias", disse Rajan. O FMI recomenda políticas coordenadas para ajustar os desequilíbrios: redução do déficit público nos EUA, maior flexibilidade da moeda chinesa, reformas trabalhistas na Europa e abertura do setor agrícola japonês à competição, entre outras.

O FMI reconheceu que alguns países tomaram medidas no sentido de iniciar o ajuste, como a recente desvalorização de 2% da moeda chinesa. O aumento de arrecadação tributária nos EUA caminhava para reduzir o déficit público, mas a expectativa de gastos de até US$ 200 bilhões com a reconstrução da região atingida pelo Furacão Katrina não deixará espaço para que isso ocorra.

Rajan rejeitou a tese de que as taxas de juros nos países desenvolvidos estão baixas por causa de maior capacidade de poupança nas economias emergentes. "Não acredito nisso. O que é necessário é que o consumo dê lugar a mais investimentos (...) e que a demanda mude de países que hoje têm déficit de conta corrente para países onde há superávit", afirmou.

Fonte: Valor on line

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