ACISC

Banco de Curriculos

 

Queda do crédito reforça a desaceleração da economia

 
28/04/2005
 

Queda do crédito reforça a desaceleração da economia
Alex Ribeiro e Janaina Ribeiro De Brasília e do Rio

Há tempos os analistas aguardavam que o juro alto fizesse efeito sobre os volumes de crédito. Alguns chegaram a sustentar que as mudanças estruturais no crédito - como os empréstimos com desconto em folha - estariam tirando a eficiência desse canal de transmissão da política monetária. Mas os dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que o aperto monetário iniciado em setembro começa finalmente a ter impacto sobre o financiamento bancário. Em março, as médias diárias das concessões de empréstimos recuaram tanto para pessoas físicas (4,9%) quanto para empresas (5,7%), em relação a fevereiro.

O fluxo de novos empréstimos tem sido suficiente apenas para repor o crédito que está vencendo. Com isso, o estoque de crédito em moeda nacional para as empresas ficou estagnado em março.

Em várias linhas houve redução nas concessões: 22,1% no "hot money", 1,7% no desconto de duplicatas e 1,9% no capital de giro. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirma que a política monetária produz efeito importante na demanda justamente por meio de linhas de crédito como essas: ao encarecer o custo da manutenção de estoques, induz as empresas a reduzi-los.

A queda na demanda por crédito é apenas um dos sinais de que o ritmo de crescimento da economia começou a ceder. A taxa de desemprego, por exemplo, subiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu 10,8% da população economicamente ativa em março, segundo o IBGE. Em fevereiro, havia ficado em 10,6%.

A Sondagem Conjuntural da FGV vai na mesma direção: cresceu de 15%, em janeiro, para 20%, em abril, o percentual de indústrias que vê na demanda fraca um obstáculo à expansão da produção. Caiu de 60% em janeiro para 46% o número de entrevistados que espera um ambiente melhor para negócios no período abril-setembro.

Certificado Digital

 

Portal Educação