ACISC

Banco de Curriculos

 

Relatório do Departamento de Economia

 
29/12/2003
 

Versão preliminar entregue em 19/12/2003.

ACISC-Associação Comercial e Industrial de São Carlos

Departamento de Economia

Análise dos resultados da Pesquisa sobre Expectativas do Comércio Varejista em São Carlos

Paulo Cesar Brigante

1. Apresentação

A primeira etapa de montagem do Departamento de Economia da Acisc está praticamente concluída. Na condição de responsável pela sua implantação, quero agradecer a todos os empresários, gerentes e responsáveis pelas empresas que responderam sistematicamente às nossas sondagens e lembrar que a criação deste departamento representa um esforço de profissionalização da Acisc no sentido da divulgação e análise de informações relevantes a toda a sociedade civil. Por isso, a contribuição do entrevistado, ao responder às pesquisas, é uma contribuição ao fortalecimento de nossa própria entidade.

Um agradecimento muito especial ao Presidente Marcos Martinelli que alimenta este sonho há um bom tempo, agora está tendo a oportunidade de realizá-lo e verificar seus resultados na prática. Sem seu entusiasmo, nada teria sido feito.

À equipe de funcionários da ACISC que vem colaborando junto ao departamento e ao amigo Wlamir Paschoalino, responsável também pela elaboração das pesquisas.

O objetivo inicial deste trabalho de pesquisa era a consolidação de um banco de dados conjunturais sobre o comportamento do varejo na cidade de São Carlos que possibilitasse o acompanhamento sistemático de algumas variáveis relevantes, capazes de apontar características comportamentais do nosso varejo. Estas características podem ser entendidas de duas maneiras: uma primeira seria verificar como os eventos ocorridos no ambiente macroeconômico impactam sobre os setores do varejo. Estes eventos podem ser, por exemplo, uma queda nas taxas de juros, um aumento de impostos ou um aumento de preços; todos repercutem nas vendas, no emprego e no investimento e essa repercussão não se dá de maneira similar em cada setor. Portanto, cumpre analisar como isso ocorre em nosso município.

Uma segunda característica, e que é o projeto do departamento para 2004, é a verificação de como as empresas reagem, tomam decisões face às alterações no ambiente macroeconômico, ou seja, quais são as estratégias implementadas por elas para garantir ou não a sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo. Mas, deixaremos isso para o ano que se iniciará.

No que tange à primeira característica trata-se, portanto, de apresentar à comunidade empresarial e local como os setores representativos do varejo do município absorvem os impactos em nível macroeconômico. Neste primeiro momento de nossa pesquisa, ainda que não tenhamos atingido o nível que gostaríamos, podemos nos considerar muito satisfeitos com os resultados obtidos, que já nos permitem apontar alguns indícios importantes do que ocorreu no varejo de São Carlos nos últimos meses.

Além do mais, mesmo se tratando de uma pesquisa que eventualmente nos leva a cair no "primarismo", no trivial e, recorrentemente, no exaustivo trabalho de manipulação de dados, o fato é que houve um reconhecimento total de todos os envolvidos da necessidade de se "colocar a mão na massa" simplesmente pelo motivo de que não tinhamos nada em termos de dados econômicos em nossa Associação. Sendo assim, era necessário um começo no qual estaríamos dispostos a enfrentar os mais diversos problemas, fossem eles esperados ou não.

2.Introdução

A economia brasileira tem sido abalada por aproximadamente duas décadas de baixo crescimento e mudanças na estrutura empresarial. Os poucos momentos de crescimento que presenciamos não se sustentaram no longo prazo, esse é o nosso grande desafio hoje e, acreditamos, a chave que garantirá o sucesso do crescimento do varejo não somente em nível local como também em qualquer lugar do país.

Recentemente o ambiente macroeconômico tem apresentado uma alteração lenta e gradual que parece favorecer mais as empresas, e a todos os agentes econômicos, no médio e a longo prazo. Trata-se da política de redução de juros que vem sendo implementada pelo Banco Central desde meados deste ano. Os efeitos dessa redução infelizmente apresentam uma certa defasagem que é proporcional à dose exagerada de elevação que houve no início da gestão Lula. Quanto maior a dose, mais tempo leva para a política de redução de juros apresentar seus efeitos benéficos. A opção de política econômica em demonstrar que a lição de casa estava sendo feita, em outras palavras, em ganhar credibilidade junto aos mercados financeiros, principalmente no que tange às metas de superávits fiscais e de inflação, foram a tônica do Banco Central e do Ministério da Fazenda e nos permite afirmar que houve uma boa dose de conservadorismo e tolerância em relação à era FHC.

A pretensa estratégia de retomada gradual do crescimento baseou-se em dois estímulos setoriais fundamentais neste segundo semestre, e que puderam ser verificados em nossa pesquisa. Primeiramente na redução do IPI ao setor automobilístico e, posteriormente, na ampliação do crédito possibilitada pela redução dos juros, que tende a se manifestar de início no setor de bens duráveis. Esses resultados já são verificados em alguns indicadores nacionais e também já podem ser observados em nossa pesquisa conforme as tabelas 1 e 2 abaixo.

Tabela 1.

Comércio Automotivo-Evolução do Faturamento Mensal (%)

Comércio Automotivo

ago

set

out

nov

         

VEÍCULOS

16,35%

14,50%

8,50%

22%

Elaboração e Fonte: Depto de Economia ACISC

: Depto de Economia ACISC

Tabela 2

Bens Duráveis- Evolução do Faturamento Mensal (%)

Bens Duráveis- Evolução do Faturamento Mensal (%)

DURÁVEIS

ago

set

Out

Nov

ELETRODOMÉSTICOS

13,50%

7,00%

15,00%

5%

CINE FOTO e ÓTICAS

-9,60%

-0,14%

7,14%

-6,17%

MÓVEIS

-12,80%

10,00%

-12,60%

5,6%

Elaboração e Fonte: Depto de Economia ACISC: Depto de Economia ACISC

A política de redução da taxa básica de juros no Brasil, (SELIC) conduzida através do Copom (Comitê de Política Monetária), tem uma interferência fundamental na formação das expectativas dos agentes na economia, sejam eles os consumidores ou empresários. Isso se explica pelo fato de que à medida que caem os juros os agentes tornam-se mais confiantes quanto à sua capacidade de assumir novas dívidas, saldar empréstimos já contraídos, melhorar o acesso ao crédito. No que diz respeito às empresas, a redução de juros pode ser capaz de motivar os empresários a tomar empréstimos e investir, desde que seus retornos sejam suficientes para honrar os compromissos da dívida assumida. Esses investimentos são os motores do crescimento que geram a renda e o emprego na economia.

3.Síntese dos Resultados Obtidos pela Pesquisa

A reação das expectativas de cada setor quanto à queda nos juros não são iguais, pois os setores mais dependentes do crédito, como o de bens duráveis, principalmente eletrodomésticos, tendem a reagir com maior rapidez e, portanto, espera-se uma melhoria nas expectativas do mesmo. São eles que puxam o início de crescimento em um ciclo econômico.

Já os setores menos dependentes do crédito como alguns ramos não-duráveis e semi-duráveis tendem a reagir posteriormente. A razão disso é que esses setores começam a registrar aumentos de vendas somente quando ocorre crescimento da renda e, no caso do Brasil, convém lembrar que amargamos uma inflação acumulada em torno de 18% cuja conseqüência vem a ser a queda direta da renda real do consumidor assalariado que, por sua vez, demanda produtos nos setores supracitados. No entanto, devemos registrar que o dissídio de algumas categorias salariais somado à sazonalidade do período natalino, onde o fator emocional é algo que não deve ser desprezado, contribuiu para que as expectativas da maioria das empresas pertencentes à tais setores fosse favorável, atenuando a onda pessimista que predominou no país durante o primeiro semestre e início do segundo. O setor de duráveis desde agosto vem apresentando crescimento de vendas, segundo as pesquisas realizadas pelo Depto. de Economia da Acisc. Tal fato também jogou um papel positivo nas expectativas dos empresários que pode ser observado pelos dados do quadro I, abaixo.

QUADRO I

   

Alta

     

Queda

 

ID.

SETORES

até 5%

5 a 10%

10 a 15%

acima de 15

até 5%

5 a 10%

10 a 15%

acima Iguais de 15

                   

Duráveis

                 

Eletrodomésticos

 

33,33%

33,33%

33,3

         

Móveis

 

40%

           

60%

Cine-Foto-Som

 

57,1%

     

14,29%

14,29%

 

14,3%

Não Duráveis

                 

Supermercados

   

60%

   

20%

   

20%

Drogarias e Farmácias

 

40%

           

60%

Varejões

 

60%

           

40%

Açougues

 

75%

           

25%

Combustíveis e Derivados

 

100%

             

Materias de Construção,

                 

Material Elétrico

       

50%

     

50%

Tintas

 

50%

     

25%

   

25%

                   
                   

Comércio Automotivo

       

50%

50%

     

Revenda de Veículos

 

100%

             

Peças e Acessórios

 

18,2%

9,1%

   

27,3%

   

45,5%

Semiduráveis

                 

Vestuário

7,7%

46,2%

15,4%

15,4%

       

15,4%

Calçados

 

40%

30%

   

10%

   

20%

Tecidos

 

66,7%

           

33,33%

Brinquedos

 

50%

           

50%

Embalagens

 

50%

     

25%

   

25%

   

Alta

     

Queda

 

ID.

SETORES

até 5%

5 a 10%

10 a 15%

acima de 15

até 5%

5 a 10%

10 a 15%

acima Iguais de 15

                   

Duráveis

                 

Eletrodomésticos

 

33,33%

33,33%

33,3

         

Móveis

 

40%

           

60%

Cine-Foto-Som

 

57,1%

     

14,29%

14,29%

 

14,3%

Não Duráveis

                 

Supermercados

   

60%

   

20%

   

20%

Drogarias e Farmácias

 

40%

           

60%

Varejões

 

60%

           

40%

Açougues

 

75%

           

25%

Combustíveis e Derivados

 

100%

             

Materias de Construção,

                 

Material Elétrico

       

50%

     

50%

Tintas

 

50%

     

25%

   

25%

                   
                   

Comércio Automotivo

       

50%

50%

     

Revenda de Veículos

 

100%

             

Peças e Acessórios

 

18,2%

9,1%

   

27,3%

   

45,5%

Semiduráveis

                 

Vestuário

7,7%

46,2%

15,4%

15,4%

       

15,4%

Calçados

 

40%

30%

   

10%

   

20%

Tecidos

 

66,7%

           

33,33%

Brinquedos

 

50%

           

50%

Embalagens

 

50%

     

25%

   

25%

De acordo com os dados coletados na pesquisa, no setor de bens duráveis as empresas entrevistadas do ramo de eletroeletrônicos todas foram unânimes em acreditar que haverá aumento de vendas em relação ao ano passado. Esse aumento ficou distribuído, conforme se vê no quadro, da seguinte forma: 33% esperam que ele seja acima de 5%, 33%, esperam que seja de 5 a 10% e 33%, esperam que seja acima de 15%.

Da mesma forma a maioria do ramo de Cine-Foto-Som (57%) acredita que as vendas se situarão de 5 a 10% acima do ano passado e somente no ramo de móveis é que 60% dos entrevistados consideraram que as vendas serão iguais.

No segmento de não-duráveis, aproximadamente 69% dos entrevistados esperam que as vendas fiquem entre 5 a 10%, sendo que 60% dos entrevistados no ramo supermercados trabalham com a expectativa de que as vendas serão superiores a 10 e inferiores a 15%. O único ramo onde predominou maioria pessimista foi no de farmácias e drogarias.

No setor de semiduráveis aponta-se também para uma melhora das expectativas: aproximadamente 85% do ramo de vestuário esperam aumento de vendas sendo que 46% acreditam que as mesmas ficarão entre 5 e 10%. No ramo de calçados 70% dos entrevistados acreditam em aumento distribuído da seguinte forma: 40%, acreditam que as vendas fiquem entre 5 e 10% e 30%, que as mesmas fiquem entre 10 e 15%. A maioria dos entrevistados no ramo de tecidos também está otimista, 67% acredita em crescimento de 5 a 10%. Somente nos ramos de brinquedos e embalagens é que se observa um equilíbrio relativo nas respostas: 50% acreditam em aumento e 50% acredita que as vendas ficarão idênticas ao ano anterior, para o ramo de brinquedos. E no ramo de embalagens 25% espera queda entre 5 e10% enquanto que os outros 25% espera que as vendas serão idênticas.

Conforme citamos anteriormente no segmento de comércio automotivo os incentivos através da redução do IPI funcionaram positivamente o que se manifestou em aumentos de vendas consecutivos desde agosto e contribuiu para que as expectativas fossem totalmente favoráveis com 100% dos entrevistados acreditando em aumento de 5 a 10%. No entanto é preciso registrar que esta expectativa não se manifesta de forma homogênea no setor automotivo. Conforme observa-se no quadro, o ramo de peças e acessórios mantém expectativas negativas: 27,5% esperam queda de 5 a 10% enquanto que 45% acredita que as vendas serão iguais a do ano passado.

Os demais segmentos pesquisados como, por exemplo, materiais de construção e material elétrico não apresentaram expectativas positivas quanto à evolução das vendas. Vale acrescentar que esses setores dependem em grande dose de aumentos de investimentos na economia local como um todo e isso é um fato que não vem ocorrendo.

Vale acrescentar que a pesquisa refere-se às receitas nominais esperadas pelos empresários e, embora a grande maioria espera uma venda entre 5 e 10% acima do ano anterior, o fato é que mesmo que isso ocorra é difícil afirmar que haverá ganhos em termos reais de vendas. Muito embora seja possível ao empresário contar com maiores receitas de vendas isso não significa que necessariamente haverá acréscimos no volume físico de mercadorias vendidas. Devemos lembrar que a inflação passada foi elevada e qualquer ganho de vendas em termos reais deveria superar os 15% propostos nesta pesquisa.

No entanto, o que mais chama a atenção é que nos meses anteriores o empresariado mantinha um grau de confiança muito abaixo do que se presencia hoje. Segundo as pesquisas, em agosto, cerca de 40% do total entrevistado acreditava em melhorias no curto-prazo. Esse percentual evoluiu para 77% em novembro.

Do total entrevistado que acredita em melhoria os motivos que levam a tal crença foram classificados conforme o gráfico abaixo.

Gráfico 1 -Fatores Condicionantes da Melhoria de Expectativas Empresariais

-Fatores Condicionantes da Melhoria de Expectativas Empresariais

Dos fatores mais citados pelos empresários que acreditam em melhoria de vendas o item de maior destaque foi a melhor negociação de preços com os fornecedores. Essa melhor negociação se verificou com mais intensidade nas respostas do setor de bens duráveis e também de não duráveis, ramo de supermercados. De certa maneira é conseqüência de dois processos: primeiro, da retomada do controle inflacionário pelo governo que permite aos fornecedores não alimentarem expectativas de que os preços irão subir no futuro. Aliado ao processo de queda gradual nos juros essa perspectiva possibilita aos fornecedores reduzir o grau de risco de crédito aos lojistas estendendo prazos e aumentando descontos para compras à vista ou em prazos mais curtos. Além do mais deve-se ressaltar que o fraco desempenho da indústria em 2003 fez com que a mesma utilizasse o final de ano como uma válvula para compensar a queda no nível de suas vendas, acirrando a concorrência na disputa pelos lojistas compradores na idéia de que "vende mais quem oferece melhores condições".

O outro fator que contribuiu para que a melhor negociação de preços com fornecedores fôsse o principal componente das expectativas foi a valorização cambial ocorrida durante o ano. No ano passado, vale lembrar que o ambiente incerto quanto ao novo governo levou a uma abusiva especulação cambial, desvalorizando a moeda nacional e tornando os preços de produtos importados praticamente proibitivos. Com a valorização cambial observada neste ano muitos importados abaixaram preços, mantiveram ou tiveram pequena elevação. Isso reflete-se positivamente, principalmente nos setores do varejo que comercializam eletrodomésticos, componentes eletrônicos, material fotográfico, alimentos e bebidas.

A prova de que está havendo uma melhoria no clima expectacional do consumidor está na ocorrência do segundo item: maior confiança do consumidor em relação ao futuro da economia.

Os outros itens que motivaram os entevistados a acreditar em um melhor final de ano foram: melhores negociações em termos de prazos com fornecedores (17.96%); queda nos preços (17,14%); queda nos juros (11.84%) e maior amparo do governo municipal (9.8%).

A minoria dos entrevistados foram pessimistas quanto à evolução das vendas, sendo que uma parte da amostra representa setores cuja sazonalidade de vendas é mais fraca neste período. Portanto, este é um fator que deve ser levado em conta ao analisarmos os dado. Aproximadamente 35% dos entrevistados em termos médios não estão confiantes em melhoras ou acreditam que os resultados serão iguais ao ano passado. Ás expectativas negativas destes grupos os seguintes fatores foram atribuiídos como responsáveis (Gráfico 2):

Gráfico 2- Fatores Condicionantes das Expectativas Negativas do Varejo

- Fatores Condicionantes das Expectativas Negativas do Varejo

Os entrevistados que alimentam expectativas negativas, conforme dito anteriormente, concentram-se em segmentos cuja sazonalidade de vendas difere dos anteriores, embora exista quem pertença aos ramos de duráveis como, por exemplo, móveis, cujas expectativas também foram negativas.

O item de maior ocorrência para este grupo de entrevistados ainda é a alta inadimplência. De fato, se tomarmos como referência a relação exclusão/inclusão calculada pelo Departamento de Economia da Acisc observamos que não existiu uma melhoria no nível de inadimplência que se sustentasse ao longo do segundo semestre.

Essa relação reflete a quantidade de pessoas que estão regularizando a sua situação creditícia em relação à quantidade de pessoas que passam a ser negativadas pelo serviço, ou seja, entram em situação irregular.

Quanto mais próxima de 1(um) for a relação exclusão/inclusão, melhor. Conforme pode ser visto, em outubro ocorreu uma melhoria de 70,68% em relação à agosto e setembro, porém, em novembro houve piora, com 61,66%. A interpretação desse dado pode ser sintetizada assim: existem mais pessoas sendo incluídas do que excluídas, de cada 100 pessoas que são incluídas no serviço aproximadamente 62 estão sendo excluídas. O ideal é que esse numerador seja cada vez maior.

Relação Exclusão/Inclusão no SCPC

Agosto Setembro Outubro Novembro

63,55%

 

58,70%

 

70,68%

 

61,66%

63,55%

 

58,70%

 

70,68%

 

61,66%

Fonte: SCPC-Acisc

Elaboração: Depto. de Economia

A alta inadimplência está associada aos juros ainda elevados considerados pelos entrevistados como os dois fatores que impediriam uma expectativa mais favorável nas vendas. Os outros fatores, em ordem decrescente de importância observada na pesquisa foram: alta inflação, concorrência desleal formal, falta de amparo do governo municipal e concorrência desleal informal (camelôs).

4.Conclusões

Por fim, um dado importante observado ao longo das pesquisas realizadas pelo Depto. neste segundo semestre de 2003 é quanto aos investimentos em andamento ou aos projetos de investimento que ocorreriam no setor varejista de São Carlos.

Os investimentos no comércio são entendidos como aumento de capacidade das lojas, ou seja, novas instalações, ampliações de espaços físicos, compra de máquinas e equipamentos. Percebe-se que eles estão praticamente estagnados. Menos de 1% dos entrevistados estão investindo nessas condições e esse, evidentemente, é um sintoma dos anos recessivos amargados pelas elevadas taxas de juros.

Embora o discurso dos condutores da política econômica já comemora a retomada do crescimento vale lembrar que uma coisa é a indústria aumentar a produção e possibilitar mais vendas ao comércio. Por si só isso não garante a retomada. O aumento da produção na indústria deve ser acompanhado de aumentos de investimentos, ou seja, aumentos no volume de máquinas e equipamentos que, por sua vez, necessitará de mais emprego e, portanto, fará com que a renda nacional cresça. E esse crescimento é que possibilitará aumentos sustentados de vendas no comércio.

Ao observar esse crescimento o comércio estará em condições, aí sim, de expandir os seus investimentos como faria a indústria. Infelizmente este processo tem sido retardado no país principalmente em função do atraso em se reduzir os juros de uma maneira mais contundente. Mesmo o Banco Central reduzindo a taxa nominal de juros como vem fazendo resta sublinhar que, para os empresários tomarem decisões de investir, o que importa é a chamada taxa real de juros, ou seja a taxa nominal menos a inflação esperada. E para que essa taxa real seja capaz de induzir novos investimentos tanto na indústria quanto no comércio calcula-se que a mesma deva estar próxima a 5%. Mesmo considerando a última redução de juros do Copom, em dezembro de 2003, para 16,5%, calcula-se que a taxa de juros real ficaria em 10,03%, o que ainda é um obstáculo e uma verdadeira proibição ao crescimento tão esperado pois nesses níveis tanto o investimento quanto o consumo serão insuficientes retomada sustentável da expansão.

A prevalecer a política conservadora de corte nas taxas de juros teremos que aguardar ainda mais um pouco para assistirmos ao tão esperado espetáculo do crescimento e poder registrar em nossas pesquisas que os empresários do ramo varejista em São Carlos já planejam aumentar seus investimentos.

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